Pinturas ibéricas e holandesas

Embora a pintura tenha sido introduzida no Brasil pelas ordens religiosas no século 16, as primeiras pinturas a retratar o país surgiram durante a União Ibérica (1580-1640), quando Portugal era governado pela Coroa da Espanha. De autoria espanhola e holandesa, os quadros estão ligados às investidas coloniais da Companhia das Índias Ocidentais no Nordeste brasileiro (1624-1654). Entre as 40 pinturas selecionadas pela pesquisa estão os dois únicos quadros espanhóis conhecidos representando o Brasil, no momento da expulsão dos holandeses de Salvador (BA) em 1625; e as pinturas produzidas por Frans Post e Albert Eckhout nas décadas de 1630 e 1640, durante a ocupação holandesa de Pernambuco sob o comando de João Maurício de Nassau. Enquanto os quadros espanhóis quase não contém elementos representativos do Brasil e permanecem ambos na Espanha, as pinturas holandesas criaram representações marcantes de paisagens, de povos indígenas e africanos, e de frutas e vegetais, e circularam entre países, exercendo maior influência. Entre as obras de Post, que são mais numerosas e hoje integram as coleções dos principais museus europeus, o primeiro quadro retornou ao Brasil em 1848, sendo doado ao IHGB, seguido de outros que hoje estão em coleções nacionais, públicas e privadas. Já as pinturas de Eckhout, reunidas no Museu Nacional da Dinamarca, foram vistas por um brasileiro pela primeira vez em 1876, quando Pedro II visitou o país: após tentar comprá-las, o imperador se conformou em encomendar cópias menores de seis obras, hoje na coleção do IHGB.
  • Quadros retratando a retomada de Salvador em estilos diversos, sendo um pintado por Fray Juan Bautista Maíno, no Museo del Prado; e o outro, de autoria não identificada, pertence à família de Fradique de Toledo y Osório, militar responsável pela batalha;

  • Seleção de pinturas de Frans Post, que retratou o Brasil em centenas de quadros ao longo da vida, com destaque para sete das 18 telas que ele teria pintado ainda no Brasil e que são conhecidas pelo público;

  • Pinturas de Albert Eckhout, que consistem em 21 telas, sendo oito retratos de corpo inteiro de povos indígenas, africanos e mestiços/pardos, uma representação da dança “tapuya”, e 12 naturezas mortas, além da decoração do teto de um castelo alemão com 80 pássaros brasileiros.