Embora a China tenha dominado o processo de impressão de textos e imagens desde o século 9, na Europa, a produção de livros só se tornou prática e economicamente viável em 1450, com a chamada prensa móvel de tipos metálicos. Essa “revolução” coincidiu com a expansão marítima européia, tornando os relatos de viagens sobre “novos mundos” um dos tipos mais populares entre os novos leitores. Entre os mais influentes estavam os livros ilustrados e ilustrações encadernadas, incluindo manuscritos e impressos, produzidos nos séculos 16 e 17.
Focada no Brasil, a pesquisa já identificou cerca de 30 obras contendo ilustrações feitas por navegantes, religiosos, aventureiros, artistas e cientistas, incluindo livros e reedições de relatos de viagens e encadernações de desenhos sem texto. Nessas publicações encontram-se obras renomadas, outras pouco conhecidas e ainda algumas nunca antes digitalizadas. Esse conjunto reúne representações de pessoas, eventos, paisagens, construções, fauna, flora e objetos que misturam tentativas de registrar a realidade e fabulações exóticas de seus criadores. Em alguns casos, essas imagens misturaram-se a outras representações de culturas enraizadas em países das Américas, da África e da Ásia. Em outros, as representações se tornaram referências de imaginários e estereótipos sobre o Brasil.