Cartografia ilustrada​

Embora a produção de mapas remonte à Antiguidade — incluindo a criação de longitudes e latitudes por Ptolomeu no século 2 —, a cartografia ocidental só floresceu no final da Idade Média (476-1453), marcando o advento da Era Moderna. A partir do século 14, o resgate de bases ptolomaicas substituiu as representações pictóricas do espaço e abriram caminho para novas técnicas ligadas às “Grandes Navegações”. As pioneiras cartas portulanas, que ofereciam linhas de costa, portos e rotas para a navegação prática por bússolas magnéticas, foram fundamentais para Portugal, Espanha, Países Baixos, França e outras potências marítimas deste período. Planisférios (mapas do mundo) e atlas (conjunto de mapas encadernados, detalhando regiões) também se proliferaram, impulsionados pela “descoberta” das Américas pelos europeus.

Nesse contexto, surgem as primeiras representações cartográficas da chamada “Terra de Santa Cruz” (1501–1503), logo rebatizada de Brasil (1505). Entre esses, a pesquisa se interessa por cartas ilustradas com representações de pessoas, plantas, animais ou construções. Típicos dos séculos 16 e 17, esses mapas foram além da função instrumental para a navegação e o conhecimento geográfico, sendo responsáveis por disseminar ideias por meio de imagens. Até o momento, o projeto identificou mais de 50 mapas com estilos, perspectivas e aspectos criativos diferentes, embora a produção se concentre em países que estabeleceram colônias no Brasil. Nessas cartas, as primeiras imagens do Brasil refletem uma mistura de registros técnicos e fabulações sobre povos indígenas, araras vermelhas e outros bichos, o pau-brasil e outros recursos naturais, sob o olhar e os interesses do processo de colonização.

  • Cartógrafos portugueses como Pêro Fernandes, Sebastião Lopes, Fernando Vaz, Lázaro Luís, e as famílias de Lopo e Diogo Homem e de João Teixeira Albernaz I e II;

  • Cartógrafos franceses, especialmente os membros da Escola de Dieppe, como Jean Rotz, Pierre Desceliers, Guillaume Le Testu e Jacques Vau de Claye;
  • Cartógrafos neerlandeses, especialmente os membros da Escola de Flandres, como as famílias de Willem e Joan Blaeu e de Nicholas Visscher I e II, e os membros da comitiva de Maurício de Nassau ao Brasil, como Georg Marggraf.