Retratos, paisagens e costumes

No século 18, durante o reinado de D. José I (1750-1777), importantes mudanças foram promovidas na administração do Império pelo seu Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra (1750-1755) e Secretário de Estado dos Negócios Interiores do Reino (1755-1777), Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Neste período, as chamadas “reformas pombalinas” buscaram modernizar o Estado e consolidar a hegemonia da Coroa sobre outros poderes. Entre as estratégias de Pombal, destacam-se a redução do poder da Igreja Católica e suas ordens religiosas, especialmente os jesuítas, e a proibição da Língua Geral, idioma formado pela mistura do tupi com português, usada por bandeirantes, jesuítas e povos originários explorados.

Embora retratos pintados de religiosos e benfeitores de organizações católicas, como a Santa Casa de Misericórdia, já existissem no século 18, foi nesse período que introduziram-se motivos não-religiosos na iconografia enviada e produzida no Brasil. Além de pinturas comemorativas da guerra entre portugueses e holandeses, surgem também os primeiros retratos da realeza lusa e de governadores de províncias, que deram maior visibilidade às autoridades laicas cujos rostos eram, até então, desconhecidos pelo povo, passando a habitar o imaginário coletivo. Por fim, surgiram nas últimas décadas do século 18, as primeiras paisagens de Leandro Joaquim e desenhos de costumes, dentre os quais Carlos Julião, engenheiro e inspetor de forte do Exército Português, foi pioneiro.

  • Pinturas relacionadas à Batalha dos Guararapes (1648-1649), parte da campanha de expulsão dos holandeses do Brasil, finalmente vencida em 1654, incluindo ex-votos cênicos do conflito e retratos dos heróis André Vidal de Negreiros, Henrique Dias, João Fernandes Vieira e Filipe Camarão;

  • Primeiros retratos, incluindo da realeza portuguesa de João V até o jovem D. João VI, de autoridades como governadores do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Mato Grosso, além de heróis da campanha contra os holandeses;

  • Primeiras paisagens feitas por brasileiros, incluindo o conjunto de quatro ex-votos de 1729 pertencentes à Igreja de São Cosme e Damião, que retratam Igarassu (PE), e o famoso conjunto de paisagens da então capital, Rio de Janeiro, pintadas por Leandro Joaquim, retratando também costumes da época, dos quais seis estão preservados e dois encontram-se desaparecidos.

  • Desenhos de “costumes” feitos por Carlos Julião por volta de 1780 e 1790, incluindo vestes militares, figuras indígenas, trabalho escravo, entre outros.