Ex-votos pictóricos e escultóricos

Amplamente difundida no meio católico, os ex-votos são objetos oferecidos em cumprimento de uma promessa ou como agradecimento por uma graça alcançada. A prática remonta a tradições votivas da Antiguidade — presentes já em contextos greco-romanos — e foi incorporada e ressignificada pelo cristianismo ao longo da Idade Média (476-1453), ligada ao culto de santos e de relíquias, e depositadas nas igrejas e santuários. A partir do século 15, durante a Contra-Reforma, os ex-votos se consolidaram como formas materiais de expressão da fé ou “provas” de milagres ocorridos em países como Itália, Espanha, França e, especialmente, Portugal. Neste contexto, surgem os ex-votos pictóricos, geralmente pequenos painéis pintados com cenas narrativas sobre a intervenção divina em doenças ou perigos superados que reforçam ainda mais a relação direta entre o fiel e o sagrado.

A partir do século 18, essa prática se enraizou no Brasil, especialmente em Minas Gerais e na Bahia, tanto na sua forma pictórica — conhecidas como tábuas votivas — quanto escultórica, que representam partes anatômicas, animais ou objetos em cera, madeira e, mais raramente, metal. Produzidas por pintores e escultores de ofício, quase todos anônimos e com traços populares, os ex-votos representam a produção artística mais acessível do período colonial, sendo encomendadas por pessoas de todas as camadas sociais. Assim, a pesquisa já identificou mais de 30 tábuas votivas do período, concentradas em igrejas que possuem acervos organizados e coleções museológicas e particulares para as quais foram deslocadas, e está buscando peças escultóricas da época, que são mais raras, para incluir na análise.

  • Pinturas votivas produzidas e preservadas em diferentes museus de Minas Gerais como Museu dos Diamantes, Museu do Boulieu, Museu Regional do Caeté e a Coleção de Ex-votos e Santos de Casa do Museu de Congonhas, tombada pelo Iphan;
  • Pinturas votivas de outras regiões do país: no Nordeste, onde existem acervos como do Museu de Ex-Votos (BA) da Universidade Federal do Cariri (CE), e no Sudeste, onde existem exemplares na Pinacoteca do Estado e no Museu de Arte Sacra de São Paulo (SP) e no Museu de Arte Sacra de Angra do Reis (RJ);
  • Raros ex-votos escultóricos do século 18 ou do início do século 19, como os encontrados no Centro de Arte Popular (MG) de madeira, e os do acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (RJ), na forma de pingentes de metal.