Azulejaria portuguesa

De origem islâmica, a azulejaria é uma técnica de cerâmica vidrada desenvolvida entre os séculos 9 e 10 na região da Pérsia, após a chamada conquista árabe do Norte da África e das Penínsulas Arábica e Ibérica. Neste contexto, os azulejos decorativos revestiam mesquitas, palácios e madraços com padrões geométricos, arabescos e caligrafia, uma vez que a tradição islâmica não utiliza representações figurativas. Entre os séculos 8 e 15, surgem na Espanha os azulejos hispano-mouriscos, que também influenciaram a Itália, onde a chamada majólica, outra técnica ceramista, introduziu cores quentes e figuras nas composições. Após a Reconquista da Península Ibérica pelos reinos cristãos, esses novos elementos foram propagados por artistas italianos que se fixaram tanto na Espanha, quanto na Holanda, onde a majólica se desenvolveu junto à influências das porcelanas chinesas. 

No século 16, Portugal começa a produzir os próprios azulejos sob essas tradições, sobretudo, holandesas. O estilo característico português, marcado pelo fundo branco e pela pintura em azul cobalto, consolidou-se no século seguinte. No reinado de D. João V, o azulejo se tornou uma forma de narrativa visual aplicada à arquitetura, com amplos painéis inspirados na pintura barroca, retratando episódios bíblicos, paisagens, cenas históricas e alegorias. No Brasil, os azulejos passaram a ser importados de Lisboa e do Porto a partir da primeira metade do século 17, e colocados em igrejas e conventos das cidades de Olinda, Salvador e Rio de Janeiro. Em seguida, eles passaram a revestir também edifícios administrativos e residências particulares, com funções decorativas e práticas, como proteção das paredes contra umidade e calor. O Brasil possui alguns dos mais importantes exemplos de azulejaria colonial fora da Europa, dos quais a pesquisa já identificou mais de 20 trabalhos deste período.

  • Primeiros painéis trazidos para o Brasil, instalado ainda no século 17, no Convento de Santo Antônio de Recife e na Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, em Jaboatão; e no século 18, no Convento de Santo Antônio em Igarassu, todos em Pernambuco;

  • Obras marcantes na Bahia, como nos Conventos da Ordem Primeira e Terceira de São Francisco, em Salvador, e no de Santo Antônio, em Cairu; ou no Rio de Janeiro como na Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Mas também em regiões onde os azulejos são raros pela dificuldade de transportá-los, como na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto (MG);

  • Revestimento de fachadas do século 18 com padrões decorativos, como nas casas do centro antigo em São Luís do Maranhão.