Imaginária e ordens religiosas

Durante a Idade Média (476-1453), a Igreja Católica foi a principal força motriz por trás da produção de esculturas e pinturas na Europa. Na transição para a Idade Moderna, a Igreja viu-se diante de dois grandes movimentos: o de expansão por meio da colonização das Américas, reconhecendo o Tratado de Tordesilhas em 1494 e unindo-se à Espanha e Portugal na empreitada; e o de defesa da sua base na Europa, ameaçada pela Reforma Protestante a partir de 1517. A resposta católica, formulada no Concílio de Trento (1545-1563) e conhecida como Contra-Reforma, incentivou o uso de imaginária —  representações de santos, anjos, Jesus Cristo e da Virgem Maria — para conquistar e manter fiéis.

As primeiras imagens a chegarem no Brasil no século 16 foram, justamente, pequenas esculturas e pinturas sacras, trazidas por quatro grandes ordens religiosas. São elas: os franciscanos, que vieram ao Brasil com Gonçalo Coelho (1502/1503) e oficializaram a ordem aqui em 1585; os jesuítas, que chegaram junto com Tomé de Souza (1549) para promover um projeto missionário estruturado; os carmelitas, devotos de Nossa Senhora, que chegaram em 1580 e se oficializaram em 1586; e os beneditinos, devotos à São Bento, que chegaram em 1582 e se oficializaram em 1584. Até o momento, a pesquisa identificou mais de 10 obras seiscentistas, incluindo esculturas e pinturas trazidas da Europa e produzidas no Brasil. Entre elas, dominam versões de Nossa Senhora (Maria, mãe de Jesus), principal figura feminina do universo católico com forte culto (“mariano”) em Portugal e que representou a proteção divina, esperança e consolo para colonizadores e para ordens religiosas.

  • Primeiras imagens escultóricas que chegaram ao Brasil, como a de São Francisco de Assis em 1503, a de Santa Catarina de Alexandria, de c. 1540, e a Nossa Senhora das Maravilhas, trazida pelo primeiro bispo do Brasil em 1552;

  • Primeira pintura a chegar ao Brasil, título hoje atribuído à pequena pintura Nossa Senhora das Alegrias trazida pelo frei franciscano Pedro Palácios em 1558, e mantida desde então no local onde fica o Convento da Penha, em Vila Velha (ES);

  • Primeiras obras produzidas no Brasil, incluindo talhas e esculturas realizadas por indígenas em São Paulo, c. 1559, as esculturas de Nossa Senhora da Conceição e do Amparo de João Gonçalo Fernandes e as pinturas de José de Anchieta e da Adoração dos Reis Magos, ambas feitas entre 1597 e 1600 pelo jesuíta Belchior Paulo.