Ilustrações em livros

Embora a China tenha dominado o processo de impressão de textos e imagens desde o século 9, na Europa, a produção de livros só se tornou prática e economicamente viável em 1450, com a chamada prensa móvel de tipos metálicos. Essa “revolução” coincidiu com a expansão marítima européia, tornando os relatos de viagens sobre “novos mundos” um dos tipos mais populares entre os novos leitores. Entre os mais influentes estavam os livros ilustrados e ilustrações encadernadas, incluindo manuscritos e impressos, produzidos nos séculos 16 e 17. 

Focada no Brasil, a pesquisa já identificou cerca de 30 obras contendo ilustrações feitas por navegantes, religiosos, aventureiros, artistas e cientistas, incluindo livros e reedições de relatos de viagens e encadernações de desenhos sem texto. Nessas publicações encontram-se obras renomadas, outras pouco conhecidas e ainda algumas nunca antes digitalizadas. Esse conjunto reúne representações de pessoas, eventos, paisagens, construções, fauna, flora e objetos que misturam tentativas de registrar a realidade e fabulações exóticas de seus criadores. Em alguns casos, essas imagens misturaram-se a outras representações de culturas enraizadas em países das Américas, da África e da Ásia. Em outros, as representações se tornaram referências de imaginários e estereótipos sobre o Brasil.

  • Primeiros livros publicados sobre o Brasil no século 16, de Hans Staden, viajante alemão, André Thevet e Jean de Léry, sobre a França Antártica, Pêro de Magalhães Gândavo, com apenas duas gravuras, além da reedição dos três primeiros por Theodore de Bry;

  • Missionários no Maranhão e Amazônia, como Claude d’Abbeville e Frei Cristóvão de Lisboa, e principalmente, holandeses na região Nordeste, incluindo os manuscritos de Zacharias Wagener, Caspar Schmalkalden, Gaspar Barleus, Willem Piso e Georg Marggraf, entre outros do século 17;

  • Livros de ilustrações encadernadas, incluindo um cuja origem remonta ao século 16, dois produzidos na vinda dos holandeses ao Brasil e alguns volumes do catálogo visual do Museo Settala, coleção particular que reuniu objetos indígenas e animais brasileiros registrados em desenhos.