Padrões portugueses

Durante a expansão marítima de Portugal nos séculos 15 e 16, as demarcações dos pontos alcançados eram feitas com marcos de madeira. Em 1482, D. João II, ascendeu ao trono português e passou a exigir que os marcos fossem feitos de pedra, chamados “padrões”. Embora possuam formatos variados, quase todos esses marcos possuem dois símbolos em destaque: o Brasão de Armas de Portugal e a Cruz da Ordem de Cristo. Os padrões se tornaram um ícone da colonização portuguesa, sendo deixados nas costas da África, Índia, China, Indonésia e do Brasil. 

Para a pesquisa, os padrões representam os primeiros entre raros elementos iconográficos deixados por Portugal no território brasileiro neste período. Até o momento, foram identificados pelo menos 9 registros imagéticos de padrões no Brasil dos quais 8 estão total ou parcialmente preservados, possuindo estilos, propósitos e histórias diferentes. Os padrões brasileiros podem ser agrupados em dois momentos-chave da história. O primeiro inclui os marcos concentrados no litoral, deixados ainda no século 16 com a função de demarcar os limites do Tratado de Tordesilhas (1494), as fronteiras entre capitanias e o local de fundação das cidades. O segundo momento, no século 18, foi impulsionado pelo Tratado de Madri (1750), que redefiniu as fronteiras entre as colônias de Portugal e Espanha, e cujos marcos estão concentrados no interior. “Redescobertos” a partir do século 19, esses padrões foram tratados como monumentos do período colonial, em sua maioria recolhidos a institutos e museus. No entanto, esse processo também revelou fortes laços populares com certos marcos, especialmente, no Rio Grande do Norte.

  • Padrões idênticos deixados em Touros (RN) e Cananéia (SP) pela expedição de demarcação da costa em 1501/1502, com destaque para o primeiro, em torno do qual criou-se um culto popular que o chamava de “Santo Cruzeiro”;

  • Padrão de Porto Seguro (BA), único ainda preservado no local original, mas cujo propósito e data ainda são debatidos, estimando-se que foi deixado entre 1503 e 1534, possivelmente como marco comemorativo da chegada de Cabral;

  • Outros padrões do século 16 incluem o marco da capitania de Itamaracá (PE), de 1535/1536, o marco fundacional da cidade do Rio de Janeiro (RJ), colocado por Estácio de Sá em 1565;

  • Marcos de fronteira do século 18, incluindo o encontrado próximo à Barcelos (AM), de 1752; o chamado “Marco do Jauru”, deixado em 1754 na foz do rio Jauru e hoje em Cáceres (MT); e o marco deixado entre Brasil e Peru em 1781, visto em ilustrações da “Viagem Filosófica” de Alexandre Ferreira Rodrigues.